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Ironman Emilia Romagna

Dia 23 de Setembro às 07:30, hora local, (06:30 em Portugal) tinha início o Ironman Emilia Romagna. A cidade de Cervia, na região de Emília Romanha, recebeu mais uma prova do circuito mundial de Ironman. Mais de 2500 atletas partiam para mais uma aventura, onde apenas os homens de ferro teriam o privilégio de pisar o corredor mais desejado na provas de triatlo de longa distância.

A Associação Beat Your Limit!, representada pelo atleta João Laranjeira, marcou mais uma vez uma página da sua história, na modalidade de Triatlo. A prova Ironman, composta por 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42,2 de atletismo, é a prova mais procurada pelos triatletas de longa distância. O sonho de estar presente no campeonato do mundo de Ironman, disputado no Hawaii (EUA), move muito destes atletas. No entanto, finalizar uma prova Ironman é por si só um desafio de uma dificuldade extrema. Os atletas preparam a prova durante longos e duros meses para num dia apenas concretizarem o sonho, que por vezes é o sonho de uma vida.

Para sabermos como correu a prova ao nosso atleta, estivemos à conversa com o João Laranjeira, tentando saber mais pormenores sobre mais um momento marcante na sua história como desportista.

Associação Beat Your Limit! : Contextualizando as tuas expectativas para este Ironman e o resultado obtido, como correu esta prova?
João Laranjeira : Infelizmente a prova não correu como eu esperava. O meu objectivo era claro: baixar as 10:30. A preparação para este Ironman correu bastante bem e estava confiante em atingir o meu objectivo. No entanto, no início do atletismo percebi que não estava nas condições ideias para fazer um bom segmento de atletismo. Decidi forçar ao máximo, mas ao km 25 percebi que não tinha muito mais para dar.

ABYL : Mesmo depois de perceberes que as coisas não iam correr como esperavas, como foste buscar forças para chegares até à linha da meta?
JL : Ao km 25, quando senti o corpo a “desligar”, ainda estava bem dentro dos meus objectivos. No entanto, sabia que a partir desse momento o meu desempenho ia cair. Rapidamente decidi que não podia parar, pois caso o fizesse eu não acabaria a prova. Foi uma luta que ainda não consigo descrever. No início senti-me humilhado, pois tinha trabalhado bastante e tive receio que não conseguisse terminar a prova. Comecei por pensar em tudo que tenho feito no desporto e na mensagem que tento passar diariamente para os atletas e sócios desta associação. Lutei com todas as minhas forças e levei o meu corpo até à meta. Terminei, que é o mais importante, mas sofri como nunca tinha sofrido. Não quero voltar a ter estas sensações!

ABYL : Mesmo assim conseguiste terminar a prova e até bater o teu recorde pessoal…
JL : Sim, é verdade. Foram dois objectivos cumpridos! No entanto, fico sempre com a sensação que a história podia ter sido outra. Não fico frustrado, pois já faz parte do passado, mas tive dificuldade em digerir tudo o que aconteceu!

ABYL : Fazendo uma análise global, achas que foi uma participação e experiência positiva?
JL : Claro, sem dúvida. Participar num evento desta exposição mundial, com grandes atletas europeus e mundiais, é sempre um prazer e orgulho enorme. Também tive a sorte de trocar experiências com um grupo de atletas portugueses que além de excelentes desportistas são pessoas extraordinárias. Aprendi muito, troquei experiências e vivi mais um grande momento na minha vida. Cortar aquela meta e ouvir o tão desejado “You’re an iroman” é indescritível, seja em que condições for!

ABYL : Já estás recuperado? Quais os próximos objectivos?
JL : Hoje posso dizer que já estou recuperado, mas foi um processo bastante lento e moroso. Tive bastante dificuldade em recuperar, o que demonstra as condições em que terminei a prova. Neste momento estou numa fase de transição. Vou aproveitar estas semanas para me preparar para o novo ciclo de treinos que preparará a próxima época. Para o ano vou apostar forte na distância de triatlo longo (half-iroman). Quero evoluir nesta distância durante o ano de 2018, para no ano seguinte voltar à distância Iroman de forma mais consistente.

O João Laranjeira terminou o Iroman Emilia Romagna em 10 horas e 46 minutos (01:00:18 natação; 05:43:09 ciclismo; 03:47:41 atletismo), classificando-se no 484º lugar da geral e 72º lugar do escalão M30-34.

A Associação Beat Your Limit! felicita o nosso atleta e agradece ter proporcionado mais um momento histórico na vida da nossa associação!

BEAT YOUR LIMIT NOW!

IronMan 70.3 Cascais

No dia 3 de Setembro teve lugar pela 1ª vez em Portugal uma prova organizada pela reconhecida marca mundial IRONMAN. Com a distância Half-IronMan (1.9km natação + 90km ciclismo + 21,1km atletismo), foi com grande entusiasmo que o público português recebeu este mega evento.

A Associação Beat Your Limit! esteve representada por 2 atletas no IronMan 70.3 Cascais. Dois atletas que decidiram bater os seus limites. O Rui da Silva e o André Guerra conseguiram superar o desafio com sucesso, obtendo as fortes energias de participar numa prova de IronMan.

Os nossos atletas obtiveram as seguintes classificações:

Rui da Silva
Natação : 00:38:00
Ciclismo : 02:42:10
Atletismo : 01:46:12
Geral : 05:16:29
Classificação Geral : 395º
Classificação Age Group 30  : 71º

André Guerra
Natação : 00:42:08
Ciclismo : 03:07:21
Atletismo : 01:41:01
Geral : 05:44:44
Classificação Geral : 756º
Classificação Age Group 30  : 165º

De forma a perceberem todos os sentimentos que um atleta que participa numa prova de tal grandeza sente, aqui fica um relato do nosso atleta Rui da Silva.

Quando comprei a minha primeira bicicleta de estrada, em Março de 2017, para dar umas voltas e fazer o trajeto casa – trabalho e vice-versa, estava muito longe de pensar que nesse mesmo ano iria fazer um triatlo longo distância Half-Ironman.

A 18 de Março dou a minha primeira volta acima de 100km, um trajeto mais ou menos pacifico até Entre-os-Rios em ritmo de passeio e como qualquer praticante da modalidade de ciclismo nos dias de hoje, após uma voltinha o primeiro reflexo é ver no Strava quantos recordes conseguiu bater. Com resultados satisfatórios para uma primeira volta, é merecedora de partilha no instagram e quem reparou no meu post foi o Ironman João Pedro Laranjeira, presidente da Associação Beat Your Limit! e amigo de longa data.

Combinamos ir fazer um treino no sábado seguinte, uma volta curta até à barragem de Crestuma-Lever pois era dia de “Brick” para o João. Pelo caminho foi-me contando como tinha sido a experiencia do Ironman 140.6 Barcelona, do Northwest Triman e de todo o planeamento, treinos, e logística implicada neste tipo de desporto que é o Triatlo.

Terminado o treino, chego a casa e vejo alguns vídeos sobre Ironman. O mítico Ironman do Hawaii onde tudo começou a umas décadas atrás… Mais site menos site, surge a publicidade que se iria realizar o 1º Triatlo Sprint em Matosinhos em meados de Maio e em Setembro o primeiro Ironman em Portugal mas em distâncias Half.

Os astros estavam alinhados e a mensagem foi clara e recebida. No meu pensamento só passava uma frase: “Vamos a isso!”

Durante a Corrida do Mar em Leça da Palmeira, conheço mais alguns elementos do BYL! e associo-me. Estávamos a 7 semanas do Triatlo de Matosinhos e juntamente com o João é desenhada a 1º fase no planeamento de treinos rumo ao IM70.3 Cascais Portugal.

“Tu vais chegar lá bem preparado, vais ver, tens mais que tempo suficiente” – João Laranjeira

(…)

4 Meses depois rumo a Lisboa:

Manhã de Sábado, saio de Leça da Palmeira em direção a lisboa pela A28 sou surpreendido por uma tarja num dos viadutos. BYL! a fazer das suas. O Apoio que se manifestava sempre que um de nós entra em cena tinha vindo na minha direção.

Após umas horas de viagem, chego a Cascais e a primeira coisa que vejo é a Bandeira IronMan hasteada e imponente na Marina. As grades já colocadas na rua começavam a completar o trajecto da prova na minha mente. Estava a horas de passar por ali para só parar quando atravessa-se a meta . Dirigi-me ao Secretariado e levantei o meu dorsal, recebi a minha mochila, pulseira, chip com GPS e ultimas indicações dos voluntários.

O vento em Cascais na noite de 1 para 2 de setembro fez-se sentir, por vezes com rajadas bastante fortes, o que levou a Organização a adiar o check-in das bicicletas para a madrugada de 3 de Setembro de forma a garantir que o material não se danificava durante a noite no parque de Transição instalado na marina de Cascais.

Este adiamento, fez com que no briefing que ocorreu no dia 2 às 15horas, fosse estipulado um novo horário de check-in de bicicletas a partir das 4:30 ate às 6:30 do dia da prova.

Finalmente chegou o grande dia. Às 4:10 da manhã toca o despertador e recebo a wake-up call do hotel. Pequeno almoço é tomado no quarto e sem alterar muito do pequeno almoço habitual que fazia durante os meses de treino. Confirmar a check list e os sacos para ver se não fica nada esquecido e avançar rumo a Cascais por volta das 4:55.

Ainda de noite, mas já na vila de Cascais está na hora de levar a bicicleta até ao parque de transição, verificar estado dos pneus e travões, colar os géis e a barra proteica ao quadro, colocar o bidon de água e o bidon de bebida isotónica nos respetivos suportes e tirar uma ultima foto para garantir que estava tudo impecável.

Segue-se a colocação dos sacos de Bike Gear e Run Gear no cabide 913 com dupla verificação. Primeiro se o conteúdo estava completo e não tinha perdido nada pelo caminho (meias, sapatilhas, géis e capacete) e se estava a colocar nos cabides certos cada um dos sacos.

O tempo ia passando. Pelo caminho encontrei outro BYL!, André Guerra que também se iria estrear na distância. Segue-se o momento de vestir o fato de neoprene, pegar na touca do evento e nos óculos de natação e dirigir-me para a praia da Baia de Cascais por volta das 6:30.

Entrei na água, que marcava os 18 graus de temperatura, acima da temperatura normal do mar de Matosinhos onde muito dos treinos se realizaram. A temperatura cá fora era de cerca de 17graus. Dei cerca de 10 braçadas naquele mar até ficar sem pé e parei a contemplar a paisagem. O nascer do sol seria dentro de 20 minutos, mas a claridade já iluminava o mar, os barcos dos pescadores e todos os atletas que como eu se recriavam com a água do Atlântico.

Sai numa partida rolling start. Partida em que 6 atletas partiam após 6 segundos dos anteriores e às 7:33 dei inicio à minha prova. O meu coração disparou e a ansiedade que até então se apoderou de mim foi transformada em energia. 13 minutos depois dos primeiros atletas não profissionais saírem, lá fui eu a comandar o meu sonho.

1900 metros de natação com uma saída australiana ao final de 500metros na praia da Conceição, esta primeira parte fiz sem grandes problemas. A maior dificuldade neste segmento encontrei após voltar à água para completar os 1400metros que faltavam. Alguns atletas mais lentos formavam linhas o que me obrigavam a abrir trajetória para os passar e percorrer maior distância ou mesmo parar. Outros atletas não mantinham as trajetórias e de vez em quando lá tinha que desviar de um outro ou outro braço ou perna que vinham na minha direcção.

Terminado o segmento de natação, a saída da água não era fácil, mas felizmente a organização colocou voluntários na rampa para auxiliar os atletas. O chão estava bastante escorregadio o que acrescentava uma dificuldade extra.

Primeira Transição: sentia-me bem, ao contrario do ultimo triatlo sprint de Esposende em que tinha saído completamente enjoado e tonto. Rapidamente me dirigi para o meu saco, tirei o fato de neoprene, calcei as meias, meti o capacete e óculos de sol até que o primeiro azar acontece: rasguei um dos cantos do dorsal. Preso só por uma das pontas durante o segmento de ciclismo iria com certeza rasgar pelo deslocamento do ar e sujeitar-me a uma penalização de 5 minutos. Falei com um dos organizadores da prova que me auxiliaram a fazer um novo furo. Prendi corretamente o dorsal no cinto e aí fui eu para a minha bicicleta começar o segmento em que me sentia mais à vontade.

Neste momento começamos a sentir o apoio do público que se ia espalhando ao longo da Avenida Marginal rumo à Ponte 25 de Abril

Este segmento tinha 50 km iniciais praticamente planos. Fui procurar o meu ritmo e segui a cerca 36km/h cumprindo a minha nutrição nas horas estipuladas. Tinha 1 barra e 2 geis. Findos estes 50km a prova mudava de imagem. Seguíamos de Estoril para a Serra de Sintra, com as subidas que isso implicava, fazendo um desvio pelo interior do Autódromo do Estoril. No dia anterior tinha feito um reconhecimento de carro pelo trajecto. Infelizmente enganei-me numa das estradas e fiz uma subida após a Lagoa Azul que me assustou e decidi que iria manter-me em gestão de esforços toda a prova até passar essa subida de forma a não correr o risco de não ter a energia suficiente para a fazer.

Felizmente o percurso era mais acessível, pois não subia tanto. Após a Lagoa Azul era basicamente a descer ou em plano. Então, foi o momento em que decidi arriscar mais um pouco, mas sem exageros para não ter contratempos como quedas ou acidentes com outros atletas.

Rapidamente cheguei ao Parque de Transição onde me enganei a entrar, e fui por um caminho mais longo deixar a minha bicicleta. Fui ao saco deixar o capacete e calçar as sapatilhas, a pala e os 2 géis que me acompanharam na meia maratona final deste triatlo longo. A modalidade de corrida foi a que gastei menos horas a treinar nestes meses de preparação. Caso tivesse necessidade iria recorrer ao espirito de sacrifício para terminar este segmento.

Segmento de corrida que tinha 4 abastecimentos e era composto por 2 voltas de 10 km. Guardei os meus geis para o km 10 e para o km 15. Entretanto fui sempre usando e abusando da coca cola, da água, da fruta que era dada e dos chuveiros para refrescar. Iniciei o meu segmento de corrida com a Vanessa Fernandes a passar para a sua segunda volta, sentir o apoio que ela recebia do público e roubar um pouco para mim não fez mal nenhum. Tentei até acompanhar o ritmo dela, mas era uns 3:50min/km e não era para mim. Existiam 2 subidas mais acentuadas, uma delas no Monte do Estoril e outra em S. João do Estoril que moiam um pouco as pernas. Em conversa com o João, dias antes da prova, tinha definido 5min/km de média na corrida e foi nesse plano que me mantive, sem grandes aventuras.  Ao longo dos kms fui me sentido cada vez melhor, talvez pela euforia de saber que ia passar no tapete vermelho de uma meta Ironman, abri um pouco o passo e já no último km parei e fui retribuir o apoio dado pelo meu pai, pela Ana e pelo Reitor.

Passar aquela meta é um momento mágico! Não sofri para completar, senti que me preparei e treinei minimamente bem. Levei comigo os conselhos de todos os que ao longo destes 4 a 5 meses fizeram alguns treinos em conjunto, ajudaram a planear ou mesmo a evoluir tecnicamente.

Obrigado BYL! e todos os que estiveram comigo nesta aventura. É aproveitar a inércia e seguir já para a próxima!

Muitos Parabéns ao Rui da Silva e ao André Guerra por esta excelente conquista. Obrigado por superarem os vossos limites e trazerem uma história inspiradora!

BEAT YOUR LIMIT NOW!