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PT281+ por Kaká Jesus

Tal epopeia tinha que ser contada na primeira pessoa. O atleta tinha que transmitir esta aventura e contar pormenores de tal conquista. Foram longos momentos onde cada detalhe tinha influência no seu destino. Fica o relato do grande campeão Kaká Jesus.

“Mais (muito mais) que 281 kms…

A PT 281+ foi um desafio que me marcou, não só fisicamente como também a nível psicológico. Consegui terminar a prova, com a moral em alta, depois de ter passado um mau bocado…

IMG_1334O castelo de Belmonte vestiu-se de gala para ver partir os 42 atletas inscritos. A minha primeira surpresa acontece aqui, quando os meus grandes amigos, a minha família do coração (FT), os meus anjos, surgiram todos de igual, com uma t-shirt de apoio. Uma grande emoção tomou conta de mim e as energias foram carregadas ao máximo. 

IMG_1324Saí para os primeiros Km da prova totalmente moralizado. Foram feitos a correr, na companhia dos manos Luz e de uma Lua imponente, que se fazia refletir nas águas de uma forma estrondosa… 

IMG_1351A paragem na primeira base de vida (BV1), o Sabugal, foi curta, apenas para comer algo. Segui animado em direção a Penamacor (BV2). Aqui, já com 80 km nas penas, pensei: “que porrada foi esta??”. Levei a primeira marretada, é certo 😉 Na BV2 a minha equipa esperava por mim, com a mesa posta e tudo pronto para me receber. Tinham um verdadeiro banquete à minha espera, no entanto, um pouco de cerelac, pizza e tomate foi tudo o que consegui ingerir. A vontade de comer era pouca, muito pouca! Descanso uns minutos e ponho os pés ao caminho… E que tortura foram os 41 km seguintes! 

IMG_1323Ao longe, bem ao longe, começo a ver Monsanto, a aldeia mais portuguesa de Portugal, lá no alto. A aproximação foi dolorosa, tendo em conta a inclinação brutal e a calçada romana infinita!! Tudo doía, mas o que eu mais procurava era água, já que a minha se tinha esgotado e o calor não perdoava. Ainda faltavam 10 km para a próxima BV… Passo numa fonte, mergulho a cabeça na água, encho os bidões e sigo caminho. IMG_1331Nessa altura já pensava em desistir, e essa vontade cresceu depois da última subida até Penha Garcia. Já a chegar ligo, a chorar, à Cristina, minha mulher e membro da minha equipa de apoio, e digo-lhe que não vai dar mais, que ainda faltam 160 km e eu já estou de rastos. Ela diz-me para ter calma, que iam tratar de mim… Já quase a chegar à BV3 aparece o João, meu grande amigo e também membro da equipa de apoio. Eu, de novo em lágrimas, digo-lhe que não podia mais e que não tinha nada mais para dar… Ele ignorou-me e disse-me que precisava de descansar, mas descansar a sério… 

IMG_1337Mais uma vez, estava tudo pronto à minha espera. A minha equipa, constituída por 3 pessoas (a Cristina, o João e o Diogo – fisioterapeuta), levou-me a casa de uma senhora, residente na aldeia, e à sua porta deu-me um banho de água fria (de mangueira). Cinco minutos depois, e já de roupa lavada, estava a dormir!!! Dormi umas boas 2 horas. Aquele pensamento de desistir tinha desaparecido, entretanto. Acordo bem-disposto, e cheio de fome, e sou tratado como um rei. A minha equipa foi, de facto, espetacular…. Fiquei quase novo e de energias renovadas pela presença da minha querida FT, que tudo fez para me animar e motivar… 

IMG_1319Procuro sair da BV3 com companhia e é quando aparece o Faria. Fomos companheiros durantes os 82 km seguintes. Entre conversa, fotos, chamadas e sms os km iam passando e os pés e pernas iam ficando cada vez mais massacrados (pudera;)).

Chegamos a Idanha à Nova (BV4 – Bombeiros) e, mais uma vez, tinha a FT à minha espera. Preocupados com o meu estado não quiseram mais deixar-me! Aqui tenho nova grande surpresa com a chegada do meu amigo Ivo Morais, a mulher Paula, e os filhos Diogo e Catarina. Fizeram questão de acompanhar o meu percurso daqui para a frente, dormindo no carro, comendo pelo caminho e tomando banho onde dava. Não tenho palavras para agradecer…

IMG_1321A “box da Ferrari”, como era conhecida a minha equipa de apoio, lá me pôs a mexer. A Cristina na roupa e comida, o João na parte do equipamento e suplementação e o Diogo na parte muscular. Que trio maravilhoso e que grandes malucos estes! Sem eles não teria sido possível… 

Lentiscais (BV5) era a próxima aldeia a ser conquistada. Foram 42 km, maioritariamente feitos de noite, cuja companhia do Faria fez toda a diferença. Podíamos até não falar, mas sabíamos que estava ali alguém…


IMG_1328Pelo meio lá aparecia o Ivo, a Paula e os miúdos… Fotografias, para ficar registado, e duas de letra e lá seguíamos o nosso caminho. A noite foi passando e o dia começa a aparecer. Que lindo estava o céu! Amarelo, laranja, azul… este amanhecer teve direito a “paragem facebook” 😉 

IMG_1350Lentiscais estava em festa e nós parecíamos ser os convidados de honra. Fomos recebidos por todos aqueles que nos apoiavam, sim os mesmos de sempre: FT (os meus anjos), família Morais e a família do Faria. Se não me engano, eram 23 pessoas no total. Só para que tenham uma ideia da dinâmica deste grupo, na entrada do Centro de Dia (Lentiscais) estava a minha roupa, usada anteriormente, estendida a secar. E, durante o tempo que lá estive, a Tânia e a Susaninha IMG_1344(FT) foram a uma farmácia, em Castelo Branco, comprar umas pomadas para os pés, que muito me ajudaram, e que entretanto estavam a acabar. Indescritível toda esta organização! De banho tomado, roupa lavada e barriga cheia segui o meu caminho, agora sozinho, já que o Faria resolveu sair mais cedo. Saí fresco e renovado, com protetor solar até aos olhos, para me proteger do intenso sol que não dava tréguas…

O próximo destino era agora Vila Velha de Ródão (BV6). Mais 31 km (e mais uma surpresa). Saio forte, a correr em estrada, mas com sobe e desce. Alcancei 3 atletas que iam a passo. Nesta fase da prova foi um tal de tirar fotos… Era a organização (Paulo Alexandre), eram os amigos que nos acompanhavam… Tudo para IMG_1335mais tarde recordar! O sol estava muito forte e a água desaparecia. Ao entrar numa localidade dou de caras com um cafezinho, que parecia ter sido colocado ali de propósito… Litro e meio de água fresca (oferecida já que o dono do café não aceitou o pagamento – boa gente esta) que desapareceu num ápice. Uns km à frente outro café e, desta vez, um geladinho (como eu tinha sonhado com um calipo de morango). Mais ums km e 6 garrafões de 5 lt de água tinham sido deixados à porta de uma propriedade por um habitante local – “um oásis” pensei eu!!

IMG_1348Continuo a minha saga, a caminhar, fazendo uma média de 5 km por hora. Já avisto a Vila e, à entrada desta, tenho companhia até à BV6. O João, o Ivo e a Mariana fazem as honras e caminham ao meu lado. Ao chegar a referida surpresa. O meu amigo Leandro, aninhado e com as lágrimas nos olhos, esperava por mim. Com ele vieram a mulher, Andreia, o Vitor, a Patrícia, o Miguel, a Helena, o Valter, a Paula e o André… Que grandes malucos estes meus amigos vindos do Porto. E mais uma garrafa de oxigênio para os 46 km finais! E claro que também lá estava a FT em peso para me receber!

Fónix!!!! 29 pessoas em meu redor a duzentos e tal kms de casa???? Nem queria acreditar… Agora era cerrar os dentes e ir até ao fim 😉

IMG_1345Os 31 km seguintes, até Montes da Senhora (BV7), eram duros e decisivos (1300d+, 20h15m). Com a noite a cair, despeço-me dos meus amigos e cumprimento o Paulo Borges, da organização, que me diz: “Carlos agora é pensar km a km”. Interiorizei aquela indicação e saio confiante, de bastões em punho (não era fácil utilizar bastões pois o gps ocupava uma das mãos). O João acompanhou-me nos 200 metros iniciais e a partir daqui estou novamente sozinho. Ligo o frontal, cerro os dentes e sigo montanha acima. Foram cerca de 8 km, entre trilhos e estrada, num subir constante, IMG_1336onde a pedra solta era muita e os meus pés já pediam clemência. Estavam maçados, pisados e desesperados para que aquele troço acabasse rapidamente. Quanto a mim, foi o mais feio de toda a prova. Durante este percurso avisto a minha gente. Esperam-me à beira de uma fonte, onde me debruço e bebo, quase ofegante, como se fosse a última água à face da terra. Olho para eles a chorar e queixo me do trilho. A Paula diz-me: “força Kaká, o pior já passou!”. 

IMG_1326Montes da Senhora estava agora mais perto e, pelo caminho, já com a música ligada, alto e bom som, passo mais 3 atletas e consigo alcançar ainda o Rodrigo, que estava parado a mudar as pilhas do frontal. Conversa puxa conversa e percebo que o Rodrigo tinha estado também à conversa com os meus amigos. Perguntou-lhes quanto é que eu lhes pagava para me acompanharem a tantos km de casa. Quando lhe responderam que era apenas amor e amizade ficou admirado. Tinha 7 irmãos  e vários amigos, mas sabia que se lhes pedisse um esforço idêntico levava como resposta uns dedos do meio, bem levantados! 

IMG_1332Finalmente chego à BV7! Toda a minha comitiva estava lá, novamente. Enrolados em mantas, com sono e fome, mas prontos para o que fosse necessário… Tratam-me dos pés, dão-me uma taça de cerelac, bem quentinho, e, sem demora, lá sigo eu rumo à meta. 

24 km separam-me da concretização de um sonho. Proença está mesmo perto, pensei! Os primeiros 10 km passam rápido, maioritariamente feitos em alcatrão. Os Morais e a minha equipa de apoio estão por todo o lado. Mal entrava numa localidade lá estavam eles a incentivar. O tempo passou bem mais depressa.  

IMG_1340Chego a Vale de Urso. Como ansiei por este momento. Nesta localidade estava alojada a FT, os meus anjos. O Gil, a Carla, o Rodrigo, o Tiago, a Ana, o Tomás, a Mariana, a Tânia, o Nuno, o Duarte, a Susaninha e a minha querida filha Maria, passavam pelas brasas mas, em jeito de alvorada, o Hugo trata de os acordar. Ainda com a roupa do dia anterior, já que tinham chegado a casa há poucos minutos, festejaram, abraçaram-me e claro, tiramos uma foto para a posteridade… Faltavam agora 6 km e o corpo estava a dar as últimas. O sono era muito e as alucinações eram por demais… Nunca pensei que fosse possível caminhar e dormir ao mesmo tempo, mas foi o que aconteceu! 

IMG_1349E eis que entro em Proença. O sonho estava ao virar da esquina. Começo a descer e dou de caras com o Hugo. As lágrimas caem e já não tenho controlo sobre nada. Viro à esquerda e vejo a meta, e vejo-os, TODOS, à minha espera, prontos para festejarem comigo. Gritam por mim, querem que eu chegue! A Cristina tem a medalha de finisher nas mãos… Inclino-me e ela coloca-me a medalha ao pescoço! A magia acontece!! 62h35m depois estou rodeado pelos meus amigos, que choram de felicidade comigo. Abraço-os 1 a 1, em forma de agradecimento, pois sem eles não teria sido possível!

Beat Your Limit! Que orgulho fazer parte desta equipa, MUITO OBRIGADO a todos… Agradeço ao meu treinador, António Nascimento, pelo enorme trabalho que tem feito comigo (já sabes que vais ter que beber a cerveja J ) 

IMG_1327À Skechers Portugal agradeço a confiança e aproveito para dizer que as GOrun 4 mantiveram os meus pés impecáveis ao longo de todo o percurso!

Às Marias um muito obrigado pela energia extra, fornecida naquelas bolinhas maravilhosas…

Agradeço também a todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, me foram incentivando ao longo do percurso (sms, telefonemas, etc.)

IMG_1343Não posso deixar de dirigir aos organizadores da PT281+ um enorme aplauso pela organização da prova

E deixo uma grande vénia àqueles malucos que estiveram no terreno comigo. Vocês são os meus HERÓIS!

Sou finisher da Pt281+ carago…”

II Trail Serra da Boneca

No Domingo, dia 4 de Setembro, realizou-se a 2ª edição do Trail da Serra da Boneca. Organizado pela Associação Desportiva de Cabroelo, a prova teve início e fim no campo de futebol desta colectividade. O evento teve 3 distâncias: 35km, 25km e 13km.

14248995_10208598313972514_561738570_nO Beat Your Limit! esteve representado na prova de 13km. A atleta obteve um bom resultado, terminando a prova em 02:05:39, conseguindo terminar em 79º lugar da geral e 13º do escalão.

O Beat Your Limit! felicita a Niki pela excelente prova e deseja-lhe força na preparação dos próximos desafios!

Beat Your Limit NOW!

Oh Meu Deus 2016 – 160K+

No dia 3 de Junho, pelas 16h, o nosso atleta Isaac Costa partiu à conquista da tão bela Serra da Estrela, participando no Oh Meu Deus, distância 160km.

Num dia onde as condições climatéricas estavam perfeitas para a prática do Trail Running, o nosso atleta iniciou a prova confiante em mais uma conquista. Nos primeiros 20km, o Isaac realizou uma prova bastante estável, controlando o seu desempenho até ao mais ínfimo pormenor.

No entanto, uma prova com 160km e com um desnível positivo superior a 7600mts coloca, muitas vezes, o atleta a percorrer a curta fronteira entre o sucesso e insucesso. No caso do Isaac, a partir do km 20 o seu sistema digestivo começou a ficar bastante frágil. Entrou numa fase onde não conseguia ingerir qualquer tipo de alimento. Aguentou em prova durante mais 45km, mas num desafio desta dificuldade não ingerir qualquer alimento durante aproximadamente 7h é muito grave e torna-se praticamente impossível continuar em prova. O Isaac tinha até dificuldade em ingerir líquidos!

Ao km 65, o Isaac tomou a decisão de desistir. Para sua segurança e para a sua saúde tomou uma decisão racional. Entrou numa fase onde o corpo se preparava para colapsar e nestas circunstâncias o atleta não deve deixar o lado irracional tomar a decisão. A montanha continua lá e haverão mais oportunidades para concretizar este tão desejado objectivo.

O Beat Your Limit! deseja força na recuperação física e psiclógica do atleta. O Isaac tem bastante experiência neste tipo de provas e certamente vai conseguir regressar ainda mais forte.

Beat Your Limit NOW!

Madeira Island Ultra Trail 2016

Há 1 semana, na madrugada de sábado para domingo, os nossos atletas concluiam a sua prova do Madeira Island Ultra Trail (115K). Foi uma longa jornada, onde os atletas tiveram que bater os seus limites, indo buscar forças que pensavam não existir. Tinham objectivos distintos, mas quis o destino que nem tudo fosse um mar de rosas. A ilha da Madeira e as suas montanhas não estiveram na disposição de facilitar a vida dos nossos atletas, mas eles mostraram de que matéria são feitos. Por vezes, os campeões não acabam no 1º lugar, ou nem chegam a atingir os seus objectivos! No entanto, pela força e perseverânça demonstram que são verdadeiros campeões e vencedores. O Kaká Jesus e o Hugo Azevedo foram um exemplo que desistir ou serem derrotados antes da partida, são conceitos que não existem neste projecto e clube, ou até mesmo nossa vida. A prestação resume-se num conceito e filosofia – BEAT YOUR LIMIT!

O Kaká Jesus e o Hugo Azevedo partiram para esta prova com objectivos bem delineados e bem diferentes. O Hugo esperou até ao último momento para perceber se tinha as condições mínimas para arriscar a sua participação na prova. Uma pubalgia cortou a sua preparação em 2 meses e fez com que terminasse a sua preparação com dores e sem confiança. Na última semana foi “atingido” por uma forte gripe. Azares demais para um atleta que tem uma força brutal e queria demonstrar a todos que os limites estão na nossa cabeça.

O Kaká Jesus fez uma óptima preparação. Chegou ao momento D no ponto certo. No entanto, uma lesão no pé direito colocou em risco a sua participação na prova. Felizmente chegou ao dia em condições de participar na prova, embora com algumas limitações.

O Hugo tinha o objectivo de terminar a prova, de preferência em menos de 27h. O Kaká queria terminar a prova entre as 21h e as 24h.

Ao longo da prova o Hugo foi ganhando confiança, pois as dores na zona baixa do abdômen e na virilha estavam controladas, enquanto o corpo respondia positivamente ao esforço brutal da prova. Abastecimento após abastecimento foi ganhando confiança. Tudo corria dentro da normalidade até que no abastecimento da Portela (aproximadamente a 17km do final), o Hugo teve problemas gástricos. Nunca pensou em desistir, mas também não tinha forças para continuar. Lutou, lutou e lutou…até que o corpo cedeu e o permitiu continuar. Entre lágrimas e despero, serrou os dentes e remou contra a maré. Após alguns quilómetros, o Hugo já tinha entrado novamente em prova e o final estava mais perto do que nunca! Chegou ao final da prova em 26:02:59 tempo, ficando classficado no 237º lugar da geral. Cumpriu os seu dois objectivos!!! Curtiu e aproveitou a prova como ninguém. Foi um exemplo de coragem brutal, provando que só no final é que se fazem as contas. Ultrapassou lesões e indisposições…o nosso Hugo foi um verdadeiro campeão!

O Kaká tinha grandes expectativas em relação à sua participação no MIUT 2016. Tinha o sonho de completar a prova em 21h e o objectivo de chegar ao fim em menos de 24h. Inicialmente tudo correu lindamente. A sua progressão era bastante rápida e consistente. No entanto, depois a sua chegada ao Curral da Freiras, as montanhas da Madeira decidiram mudar a sua sorte! O corpo começou a responder de forma deficiente. Os músculos das pernas não recuperavam e o cansaço era cada vez maior. O Kaká chegou ao Pico do Areeiro (+-75km) completamente esgotado. Ainda faltavam 40km para a meta e o atleta não conseguia progredir em condições. Pela sua cabeça chegou a passar que a sua história no MIUT terminaria ali mesmo. Decidiu continuar! No entanto, os kms passavam lentamente e o seu cansaço era insuportável. Não haviam forças…estava completamente esgotado! Perdido e desesperado, chorou durante vários minutos, enquanto a sua equipa o tentava animar, mas com pouco sucesso. Ele queria muito, mas o corpo estava lento, exausto e massacrado! Ao telefone jurou a um amigo que não desistiria e que lutaria até o corpo colapsar! Colocá-lo a dormir, seria a única opção para o corpo o vencer! Lutou, lutou, sofreu, sofreu e sofreu! Chegou ao abastecimento da Portela (faltavam 17km para o final) e recebeu uma injecção de adrenalina e motivação. A sua mulher e amor da sua vida, equipou-se e decidiu acompanhá-lo até ao final. Seria uma luta a dois. Juntos já tinham ultrapassado grandes desafios na vida e este ia ser mais um! Foram 17km de sofrimento e progressão lenta. À medida que o tempo ia passando,  os seus sonhos e objectivos iam por água abaixo, mas o Kaká decidiu que ia terminar aquela prova, por orgulho próprio e também por respeito a todos os amigos e família que torciam por ele. Chegou ao final ladeado pelo seu amor, pela Ana e Tomás (restantes membros da equipa). Pendurado nos ombros da Cristina e da Ana, cortou a linha da meta completamente exausto! Foi mesmo até à última gota, mas venceu o destino. Para si a prova foi um falhanço, mas lutou até ao fim. Esta atitude foi de campeão…de um atleta que respeita o desporto e principalmente respeita a prova, os outros atletas, a sua família e amigos. Terminou a prova em 25:21:29, conseguindo o 218º lugar da geral. As 4 horas seguintes foram numa maca, acompanhado de soro. No entanto, tudo valeu a pena. Hoje está ainda mais forte. Desistir não entra no vocabulário dos nossos atletas!!!

O Kaká e o Hugo foram um grande orgulho e exemplo para todos nós. Lutaram até ao fim e ficarão recompensados para o resto das suas vidas. O sofrimento durou pouco mais de 24h, mas as suas histórias ficaram marcadas por esta grande vitória e conquista pessoal!!!

Como nada se conquista sozinho, os nossas atletas tiveram a preciosa ajuda de uma grande equipa: Cristina, Ana e Tomás. Aguentaram quase 27 horas sem dormir, estando em todos os abastecimentos possíveis a prestar assistência aos atletas. Foram fantásticas(os) neste apoio e assistência. Sem esta belíssima equipa nada seria possível. Grandes atletas e grande equipa!!!

O Beat Your Limit! agradece esta grande conquista e exemplo para todos os atletas. Estamos muito orgulhosos de vocês!!!

Beat Your Limit NOW!